quinta-feira, março 10, 2005

Um esboço de ti

Numa dessas tardes solitárias e geladas, procuro um pedaço de papel.
Absorta na neblina, tento materializar os teus traços. Trazer a este pedaço antigo de papel as formas esquivas do teu rosto.
A tua lembrança é ténue brisa que corre nas manhãs amenas da Primavera que não chega.
Neste pedaço de papel, amargurado e tristonho, revejo-te. Reinvento-te com as cores que gostava que fossem as tuas.
Pinto palavras… ora em tons açucarados rosa pastel, ora em tons acidulados limão verde. Pinto os teus olhos… deambulando entre o melancólico castanho do Outono e a azul nostalgia do Verão.
Não serias especial se não te recriasse. Não serias azul, se eu não te pintasse.
O teu espírito é obstinado… voas liberto, insubmisso. Voas com a deliciosa rebeldia de quem tem a pressa de viver.
Queria-te… bastava quereres-me.
Hoje concretizo-te neste patético e insignificante fragmento de papel.

Amanhã… Amanhã, espero que existas.

7 Comments:

Blogger Filipa said...

Estava com saudades. Ainda bem que voltaste. Um beijo*

4:57 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Um belo esboço, sim. Ás vezes é reconfortante termos junto de nós estas representações, por nós concebidas, daqueles que a amamos.
Continuação de bom fim de semana :-)

10:03 da tarde  
Blogger Molghus said...

Não sei se é de mim, mas também procuro papelinhos impiedosos para reinventar recordações que espero um dia ter. Esforço perturbador caracteristico de quem não sabe esquecer, procuro sobrepor recordações, ainda que irreais... justifico tudo com um "Não há momentos que não mereçam ser esquecidos!"
Tb queria bastava ela querer, mas não posso só porque............

7:49 da tarde  
Anonymous rapazdeluz said...

Tenho um sabor de cansaço na boca, como cuspo, como cinza e espalho os olhos pelo tecto branco. Há um estalo de repente e uma canção espeta-me os dedos no corpo e acordo, levanto-me, abro as cortinas e percebo o parágrafo que agora começa no sol que bate no pinhal e no rodopio do mundo lá fora, na aldeia, na cidade, no mar, na vida, abro os braços e grito e agora começo, chicoteio o ar e a luz e abro as cortinas e vejo os palcos e as montanhas e recito sem parar as palavras que invento a cada momento, nomeando as coisas, criando o mundo, fazendo de novo cada objecto e cada gesto como na manhã inicial que é esta, quando acordo. Agora vou devagar e ponderadamente ser aquilo que ninguém espera.

5:36 da tarde  
Blogger lu said...

Onde andas?

8:41 da tarde  
Blogger José Viriato said...

O cha é bom conselheiro.

12:28 da manhã  
Anonymous Um fan said...

Ó moira, é instante seu voltar. Toda gente lho pede. Aceda-lhes. Pois que vc é mto fx.

2:17 da manhã  

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