quinta-feira, março 10, 2005

Um esboço de ti

Numa dessas tardes solitárias e geladas, procuro um pedaço de papel.
Absorta na neblina, tento materializar os teus traços. Trazer a este pedaço antigo de papel as formas esquivas do teu rosto.
A tua lembrança é ténue brisa que corre nas manhãs amenas da Primavera que não chega.
Neste pedaço de papel, amargurado e tristonho, revejo-te. Reinvento-te com as cores que gostava que fossem as tuas.
Pinto palavras… ora em tons açucarados rosa pastel, ora em tons acidulados limão verde. Pinto os teus olhos… deambulando entre o melancólico castanho do Outono e a azul nostalgia do Verão.
Não serias especial se não te recriasse. Não serias azul, se eu não te pintasse.
O teu espírito é obstinado… voas liberto, insubmisso. Voas com a deliciosa rebeldia de quem tem a pressa de viver.
Queria-te… bastava quereres-me.
Hoje concretizo-te neste patético e insignificante fragmento de papel.

Amanhã… Amanhã, espero que existas.