sábado, janeiro 29, 2005

Se um dia isso acontecer




Fiquei parada, estanque com as tuas palavras.
Não sei onde fiquei. Não sei onde parei, onde me detive.
Esperei encontrar-te à minha porta, encobrindo o sorriso envergonhado de quem leu o livro que deu lugar ao filme. De quem sabe como termina a história.
Tudo o que (não) se passou era nosso conhecido. Todos os gestos, todos os beijos, todos os olhares esquivos.
Fechámos os olhos e imaginámos outras pessoas, outros corpos, outros lugares.
As lembranças podiam ter corrido velozes pelo pensamento. Mas não. Nada nos atormentou.
Consumimo-nos. Usámo-nos um ao outro.
Fomos prostitutos dessa infame vontade, de uma fome sórdida.
Tudo o que (não) se passou era nosso conhecido.
Podias gostar de mim e eu de ti...

... mas se um dia isso acontecer, não sei se vou parar com esta vida.

sábado, janeiro 15, 2005

Amanhã não estarei aqui



Há nomes nos murmuram saudades, há palavras que nos fazem tropeçar em ilusões trapaceiras, mentirosas...
Permiti-me entrar num mundo que não me pertence. Deixaste a porta entreaberta, como quem não faz promessas tontas, mas pisca o olho prometendo o que a noite nos quiser oferecer.
As músicas que me dedicaste são, agora, canteiros fustigados pelo Inverno. Flor castigada pelo (teu) gelo.
Passo vagarosa por ti, qual ténue espectro, soprando o remorso.
Para mim és o gelo, para ti sou a neve.
E assim, sozinhos e orgulhosos, esperamos pelo primeiro raio de sol que nos traga o suave calor da (nossa) paixão.

Quem sabe amanhã não estarei aqui...