quinta-feira, dezembro 30, 2004

O perfeito (des)conhecido




O perfeito desconhecido com quem me cruzei na rua, diz que tenho o sorriso da lua. Calado quase imperceptível. Diz que os meus olhos escondem histórias e as minhas mãos pintam romances.
O perfeito desconhecido com que me cruzei na rua, entrou na minha casa e trouxe-me rosas de açúcar e amores-perfeitos de cristal.
O perfeito (quase) desconhecido que me oferece flores no Inverno, tem rosto de paixão primaveril.
O perfeito (nada) desconhecido julga que as minhas palavras são ornamentadas de ouro e águas-marinhas.

Como é tolo este perfeito (des)conhecido...

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Voam-se as horas



Voam-se, as minhas horas em fantasiosos delírios. Percorro-te os pensamentos, sou tomada por palavras estéreis e frias.
Calo o grito.
Inspira... expira... não há dor nem compaixão que te mereçam.
Vejo-te morrer de novos aos bocadinhos... sou a última farpa, o último golpe.
Assassino-te com perversa malícia.

E agora... morreste?

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Não Espero



Já não espero. Deixo que a ténue névoa dos meus cigarros ociosos me devolva as asas. Pairo sobre os meus próprios pensamentos calada, resignando-me às minhas fraquezas.
Sou mais eu. Esta sou mais eu. Versão deliciosamente ácida. Sou assim e já não espero.
Vens tarde? Não te espero. Não podes? Também não te esperava. Não queres? Nunca mais te espero...
Será jogo ou dança?
Toco a musica e vejo-te dançar.
Dança... dança... rodopia. Até entenderes que não se dança a valsa sozinho...

... e eu não sou o teu par.

sexta-feira, dezembro 10, 2004

10/12/2004




Hoje precisa de quebrar a rotina. Faça uma coisa diferente e insólita e faça-a com espontaneidade.

quinta-feira, dezembro 09, 2004

T-empo P-ara M-udar



Nunca fui muito atreita às limpezas. A minha obsessão é a arrumação. Não serei muito metódica, nem excessivamente organizada. O suficiente para me orientar sem etiquetar coisas ou pessoas. Mas, por vezes, tal é absolutamente necessário.
No meu baú das recordações velhas e gastas, acumulei gente a mais. Melodias que ainda agora me incomodam.
Compilei-os.
Rostos, os meus farrapos, que me estilhaçaram os dias. Apontamentos em papel corroído pelo tempo estagnado pelo mofo dos meus fantasmas. Números de telefone, moradas e bilhetes. Tralha.
Reciclo-me.
O que guardar? O que recordar?
Reinauguro-me. Procuro a página em que me detive.
E são tantos os caminhos, tantas as possibilidades. São tantos os meus nomes, tantas as noites. Tantos os olhares, tantos beijos.
Tanto futuro. Outra vez... tanta gente.
Tanto, tanto, tanto desejo. Quem me serve? A quem sirvo?
Por cada noite que corre, consumo-me numa inquieta convulsão. Ávida, sôfrega, impaciente...

Preciso (-vos)

quarta-feira, dezembro 08, 2004

Passeando as amarguras da vida

Há um arrepio que escala as minhas costas até à minha nuca. A resposta mais que evidente e que sempre esteve comigo. Eu sou a minha resposta, a solução desse sistema de duas equações a três incógnitas.
Prenhe, tentei abortar-me. Abortar o meu próprio espírito dentro da minha mente.
Engravidei-me de ideias delirantemente concebidas num ventre infértil.
Os pensamentos correm serenos como as águas do meu rio. Estranhamente tranquilas, mesmo sabendo que o mar é logo ali.
As caras desaparecem na penumbra de recordações vazias. A tentação é incontrolável. O rosto indecifrável. Chegada ao ponto de partida, tudo no mesmo.
Sou a mesma vontade, a mesma ânsia.
Lasciva inquietação.
Vampira.
Prenhe. Duas vezes prenhe de duas vontades diferentes.
As duas, à procura da mesma razão.