quarta-feira, junho 30, 2004

Indecência

A indecência de te saber, de conhecer o teu corpo. E os gestos indecorosos e grosseiros.
Estás gasto, usado, vazio.
Alguém te consumiu.
Perdeste-te em mil volúpias que apenas ousas sonhar desde que parti. Deixei-te tatuado no corpo o prazer de que agora és escravo.
Já não te bastas, não te serves…
Mentes-te.
Abusas-te em mentiras absurdas e vis.
O teu corpo arde em desejo e capricho. A minha mente inflama-se em incertezas.
Fui brasa que depressa esmoreceu de tanta ânsia.
Não sou nada, sou muito pouco. E tu… és muito menos. Corpo que governa a tua fraca fé. Pedaço de carne que ainda vivo se putrefaz em vontades lascivas e escuras.

terça-feira, junho 29, 2004

Já não voltas...

Se acreditasse em ti, como já acreditei, se sentisse por ti agora tudo o que outrora senti, a minha alma descansaria.
Se não tivesse trocado o teu quarto luminoso, as cortinas claras, a luz do meio da manha por um qualquer beco escuro a meio da noite; a volúpia seria a mesma de antes. E os beijos iguais, as carícias as mesmas, o calor maior ainda. Continuarias inalcançável. O coração bateria igualmente descompassado. E passaria à tua porta só para adivinhar uma réstia de luz na tua janela.

segunda-feira, junho 28, 2004

Chá Verde e Fenilalanina

Não custou muito… tomei uma decisão. Vou respeitar-me mais.
Acordei saturada de mim, da constante e ridícula preocupação em corresponder às expectativas dos outros. Do ceder perante a ameaça de não me fazer entender. Não faz sentido.
Desta vez desci baixo demais. Se alguma consideração tinha por mim mesma, cessou no preciso momento em que a Lua assistiu calada e incrédula aquele ignóbil espectáculo. Mais que sórdido, foi imundo, repugnante… qual animal que possui a fêmea num acto de procriação sujo, frio, violento.
Agora sinto-me conspurcada. Fui moeda de troca num negócio que desconheço… mercadoria de comércio carnal. Da pior, daquela que nem merece um vulgar caixote de cartão com indicação de “frágil”, porque para ti não o sou.

Hoje, a partir de hoje, começo a ter mais consideração por mim. Não sou lixo, não irei continuar a varrer para debaixo de um tapete o imundo da minha vida que finjo não ter cometido. Não.
Quem sabe assim me torne melhor pessoa. Menos azeda, menos fria. Talvez.
Não custou muito… tomei uma decisão. Resta saber se terei competência para a levar adiante.
Começo por purgar-me. De ti, dos outros, do mundo. Purifico-me com chá e adoçante… o meu açúcar julgava eu que eras tu. Equivoquei-me.