sábado, março 18, 2006

Re-Começo


As estrelas debaixo do guarda-chuva, contei-as contigo. Estrelas numa noite sem brisa nem Lua.
As tuas Estrelas.
Uma Lua de cristal aconchegada num perpétuo veludo, descobri-a contigo. Lua numa noite sem brisa nem estrelas.
A tua Lua.
Essa brisa, suave fragrância, delicado mistério, cálida ternura, dulcíssimo beijo, aguardo eu por descobri-la contigo.
A tua Boca.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Rendo-me


Neste lenço onde colecciono as minhas lágrimas, conto as que te dediquei. Num qualquer lenço gelado e inútil, guardo as lágrimas que choro, que já chorei outrora. Dolentemente as aconcheguei no coração e pedi que as levasses.
Perdi-me na tempestade… não no mar alto mas na praia, porque na praia as vi partir, as vejo chegar.
Foste temporal em dia claro assim que me rendi…


Assim que me rendi…

terça-feira, setembro 13, 2005

Para onde?


Para onde me levas se tão quieta estou?
Porque me faltas, porque te falto?
Porque terminam as nossas histórias em dilúvios e lágrimas que rolam p’las nossas faces… p’las calçadas das ruas e avenidas que não nos levam a lugar algum?
Arrancas-me o luto dos dias banais e pedes-me que te leve o medo em segredos só nossos.
E eu… Eu não sei.

Para onde me levas se tão quieta me encontraste?

sábado, setembro 10, 2005

Estranhamente


Nas minhas mãos que já não pintam os romances de outrora, confias-me a fé em dias idos.
Tudo em ti é deliciosamente promissor, inesperadamente doce.
Acordas-me em auroras escuras, calado, trazendo no olhar esse brilho ébrio de quem, pacientemente, demanda pelo amor.
Já escrevi nas tuas mãos o nosso (re)encontro, já pintei nos teus lábios uma auspiciosa esperança.
Vasculho no fundo das minhas recordações e tento compreender onde me perdi. Procuro pelos planos e devaneios ingénuos de quem só quer ser feliz.
Penso em ti… estranhamente.
Não sei se pintas o mar nos meus mesmos tons, se caminhas para o sol se para a sombra.
Eu não queria bater a porta. Se o fiz reentra, sereno, que serena me encontrarás.

Não me deixes cair...
(dedico este post a um amigo que no inesperado dos últimos dias me devolveu esta estranha doçura)

domingo, junho 19, 2005

Oceano




O vento que não sopra leva-me os castelos de cartas que construo. Aguardo que voltes, que entres sem pedir licença.
Já li todos os livros, já decorei todos os teus poemas, já repeti cem vezes as mesmas desculpas, mas continuo a ver o mundo como um barco que ruma ao alto-mar e se faz mais e mais insignificante. O mundo foge-me, tal como tu.
Há noites como esta em que te sinto, em que vos sinto partir... Vós, minhas paixões.
Fugazes, ausentes, obstinadas... Sentimentos que naufragaram, uns quase na praia, outros...

no oceano.

quinta-feira, maio 26, 2005

Porque não




Ocasionalmente encontrei-te. Voltaste-me.
Outra vez... nos mesmos e absurdos tons. Esses três tons que na minha cabeça ressoam como três notas, notas de música.
E dançámo-la uma única vez, a música que me fez ser quem não sou.
Paro no tempo. Parei no tempo. Onde andei tanto tempo?
Porque foram tão breves estes dias? Porque me fugi? Porque não continuei a dançar loucamente ao som das melodias que inventei? Porque, porque?... Porquê?

Porque não.

terça-feira, maio 10, 2005

Aos Poucos




Morri na praia para aí me reencontrar. Busquei os segredos e sonhos que confiei às ondas. Revoltas nada me devolveram, nem os sonhos, nem nada.
O tempo faz de mim delinquente, assaltante de pequenas esperanças. Mudas, coitadas, naufragaram no oceano.
Morro na praia para aí reencarnar-me na imbecilidade humana. Obtusa existência.

Aos poucos... sou eu outra vez...